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80 anos depois, memórias afetivas ainda retornam para A Ilha Perdida de Maria José Dupré

  • 22 de mai. de 2024
  • 2 min de leitura

Capa do livro A Ilha Perdida que conta com a ilustração de dois meninos em uma canoa.
Lançado inicialmente em 1944, o livro se tornou sucesso quando integrou a icônica Série Vaga-Lume na década de 1970 (Foto: Editora Brasiliense)

Nathalia Tetzner


A Ilha Perdida é um dos livros mais icônicos da Série Vaga-Lume. Escrito por Maria José Dupré, o desencontro entre dois meninos e a fazenda em que passavam as férias ultrapassa as margens da memória afetiva e, completando 80 anos desde o seu lançamento em 1944, prova ser uma aventura atemporal.


Introduzida nas escolas para incentivar a leitura entre os mais novos, a narrativa conquista pela imersão apaixonante que somente uma escritora do calibre de Dupré consegue colocar em folhas. A autora é mais reconhecida pelo também clássico Éramos Seis, adaptado para a Televisão, Teatro e Cinema.


Porém, até alcançar a consagração de sua carreira, Maria José Dupré assinava grande parte dos exemplares como Sra. Leandro Dupré. O título faz jus ao nome de seu esposo e, embora alguns críticos literários mais saudosistas refutem essa possibilidade, o uso dessa assinatura reacende a dificuldade vivida pelas vozes femininas no universo dos livros.


Tida, inicialmente e conceptualmente, como uma obra direcionada para o público infantil, A Ilha Perdida não perde a sua misticidade cativante com os adultos que, um dia, se viram a bordo da canoa dos protagonistas. Eduardo e Henrique, meninos pré-adolescentes, são tão bem construídos em suas unidades que acabam gerando um sentimento de identificação. 


No livro, o espírito aventuresco da humanidade é refletido pelos personagens. A cada capítulo, Dupré elabora construções que surpreendem ao longo do enredo e o fato de que a sequência falha nesse mesmo quesito – apresentando pouco ritmo –, corrobora com a complexidade de seu trabalho, afinal, nem ela conseguiu reproduzir tal feito.


Mesmo que apresente uma linguagem facilitada e pouco rebuscada devido a característica de seu público, a obra desperta o ímpeto para a aventura na mesma intensidade que alimenta, historicamente, novas gerações de leitores. Justamente por se destacar entre os colegas de gênero, A Ilha Perdida é um tesouro da Literatura nacional.


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